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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um em cada quatro estudantes já usou droga ilícita, aponta estudo

De 2004 a 2010, percentual dos que usaram drogas foi de 22,6% para 24,2%. Pesquisa mapeou uso de entorpecentes entre alunos do DF e de 26 capitais


Levantamento divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) mostra um crescimento no número de estudantes que já utilizaram drogas ilícitas em algum momento da vida.


Realizada com alunos do ensino fundamental (entre 6 e 14 anos) e médio (15 a 17 anos) de escolas públicas das 26 capitais e do Distrito Federal, a pesquisa mapeou a evolução do consumo de entorpecentes entre 2004 e 2010.


De acordo com o levantamento, a parcela de estudantes que admitiu ter utilizado algum tipo de droga ilícita "como maconha, cocaína, crack, anfetamínicos, anseolíticos e solventes", em 2004, era de 22,6%. Em 2010, esse número subiu para 24,2%.


O consumo de crack permaneceu estável nesse período: 0,7%. Já o consumo de cocaína entre os estudantes aumentou de 2% para 2,8%


Considerada uma das drogas mais populares, a maconha também teve o percentual de usuários praticamente inalterado nos últimos anos, caindo de 5,9% para 5,8% o percentual de estudantes que admitiam ter utilizado pelo menos uma vez na vida a droga.


Escolas privadas
Em sua sexta edição, o "Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública e Privada nas Capitais Brasileiras" – organizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) e pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo – mapeou pela primeira vez o uso de entorpecentes entre estudantes de escolas particulares.


Foram realizadas entrevistas com 50.890 estudantes, sendo 31.280 da rede pública e 19.610 da rede privada. O cruzamento dos dados revelou que os alunos de instituições privadas relataram uso maior de drogas do que os estudantes da rede pública.

O total de estudantes com relato de uso no ano de qualquer droga – exceto álcool e tabaco – foi de 9,9% para a rede púbica e 13,6% na rede particular”, registra o estudo. A categoria "“uso no ano”" se refere aos estudantes que disseram ter utilizado algum tipo de droga nos últimos 365 dias anteriores ao estudo.

As drogas mais citadas pelos estudantes foram bebidas alcoólicas e tabaco, respectivamente 42,4% e 9,6% para o uso no ano. Em relação às demais foram obtidas as seguinets respostas: inalantes (5,2%), maconha (3,7%), ansiolíticos (2,6%), cocaína (1,8%) e anfetamínicos (1,7%)”.


Ainda na comparação com os dados de 2004, a pesquisa mostra uma queda de 49,5% no percentual de estudantes da rede pública que admitiram ter utilizado drogas como maconha, solventes e crack nos 365 dias anteriores ao estudo. Apenas a cocaína não registrou queda de consumo nessa análise. O consumo de álcool caiu 35,1% entre os alunos de escolas públicas. Já o de tabaco, apresentou redução de 37,6%.

(Robson Bonin, do G1, em Brasíla)

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Risco de baixo desempenho escolar é maior entre filhos de pais separados, diz pesquisa

Logo após se separar da mulher, há cerca de dez anos, Analdino Rodrigues Paulino, 57, viu a filha mudar diversas vezes de escola.


Enquanto os pais decidiam quem ficaria com a guarda da garota, ela tinha de se adaptar não só às mudanças na família como também na sua educação.


Isso fez com que ela perdesse o interesse nos estudos e passasse a ter dificuldades na escola, conta o pai, que hoje é presidente nacional da Apase (Associação de Pais e Mães Separados).


Paulino diz que, durante todo o tempo que passa com a filha --ele mora em São Paulo, ela, em Goiânia (GO), ele se esforça para que ela tome gosto por estudar.


O caso da filha de Paulino é um exemplo do que foi constatado em uma pesquisa feita pelo Instituto Glia com 5.961 crianças e adolescentes de diversos pontos do país.


De acordo com o levantamento, crianças e adolescentes com pais separados têm um risco 46% maior de ter baixo desempenho escolar.


"Ter o risco não significa que necessariamente irão apresentar esses problemas, quer dizer apenas que existe propensão", explica o neurologista e coordenador do projeto Marco Antônio Arruda.


O principal objetivo do estudo, que também mediu fatores de risco para baixa saúde mental (leia mais ao lado), é justamente alertar pais e educadores para que os problemas sejam evitados.


Por isso, o estudo foi editado em formato de cartilha com recomendações de precaução contra baixo desempenho escolar e distúrbios mentais. Os dados completos serão apresentados no Congresso Aprender Criança, que começa na sexta (6), em Ribeirão Preto (313 km de SP).


LUTO


Especialistas em psicologia e educação consultados são unânimes em recomendar que os dados sejam encarados com cuidado. Isso porque não se pode dizer que a separação é uma causa para o baixo desempenho escolar.


No entanto, a maioria deles reconhece que a separação pode causar problemas emocionais à criança, o que pode se refletir na escola.


"O desconforto emocional pode se refletir no desempenho escolar, em uma insônia ou uma hiperatividade", exemplifica a psicanalista Blenda de Oliveira, diretora da Casa Movimento.


A psicopedagoga Maria Irene Maluf diz que esse período de adaptação, em que a criança passa por uma espécie de luto, dura de 10 a 12 meses. "Passada essa fase, isso desaparece totalmente."


A terapeuta familiar Roberta Palermo lembra ainda que, mesmo após a separação, ambos os pais devem se interessar pela vida escolar dos filhos.


"É importante que o pai não se torne apenas um provedor financeiro após a separação. Portanto, ele deve opinar na escolha da escola, deve estar presente nos eventos e reuniões. Ambos devem ter um discurso semelhante sobre o que esperam da vida escolar dos filhos e, quando não se entenderem, devem manter o respeito."


TRABALHO DA ESCOLA


Já Marisa Melillo Meira, que é professora de psicologia da educação da Unesp de Bauru, acredita que o baixo rendimento não pode ser visto como um sintoma de distúrbio causado pela separação dos pais.


"O desempenho da criança está diretamente ligado ao trabalho da escola."


Veja Cartilha


(Fabiana Rewald/Folha de São Paulo)


domingo, 28 de março de 2010

Estudantes poderão fazer exames de saúde anuais gratuitamente

A Câmara analisa o Projeto de Lei 6868/10, do Senado, que autoriza o Poder Público a realizar, anualmente, exames de saúde nos estudantes dos ensinos médio e fundamental, de escolas públicas e privadas.

Pela proposta, os exames serão feitos em parceria com o Sistema Único de Saúde (SUS) e deverão incluir, no mínimo, avaliações de saúde bucal e nutricional e de acuidade visual e auditiva.

O texto também institui a Semana Nacional da Saúde na Escola, que será comemorada na primeira semana de agosto de cada ano. O objetivo é incentivar a comunidade escolar a debater o tema e a adotar práticas de saúde preventiva. As atividades realizadas durante esse período poderão ser aproveitadas no currículo estudantil.

A autora da proposta, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), lembra que problemas de saúde, como cáries, deficiência nutricional e dificuldade de visão, interferem diretamente na aprendizagem dos alunos.

Segundo ela, a omissão dos estabelecimentos de educação e de saúde reforça a necessidade de intervenção do Poder Público. "Muitos distúrbios não são diagnosticados por falta de ações nesse sentido, quer de parte da escola, quer do sistema de saúde", disse.

O projeto será analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação e Cultura; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de ser votado pelo Plenário.

(Agência Câmara)