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terça-feira, 27 de julho de 2010

Educação do futuro trocará o foco no currículo pela atenção ao aprendiz, diz especialista

Ano após ano, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) reprova o Brasil no quesito igualdade. O ranking das escolas com melhor desempenho reproduz o abismo da diferença entre a qualidade do ensino oferecido em instituições públicas e privadas. Assim, distancia ainda mais os alunos com a garantia de um futuro bem-sucedido nas universidades dos que engordarão a massa de trabalhadores com escolaridade limitada. O teste final que as avaliações da educação brasileira propõe é como resolver um problema antigo com soluções diferentes e inovadoras.

Para Andreas Schleicher, diretor de Programas de Análise e Indicadores em Educação da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e responsável pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), os dados de verificações como o Enem podem sugerir alguns caminhos. Mas a resposta está mesmo na formulação de um novo modelo de educação, "menos centrado no currículo e mais no aprendiz". "Precisamos entender que a aprendizagem não é um lugar, é uma atividade. Sistemas educacionais precisam reconhecer que os indivíduos aprendem de formas diferentes", diz o físico alemão.

Em entrevista por e-mail, Schleicher defende que, quanto mais autonomia a escola e os professores tiverem, maior será sua interação com os alunos. Além disso, os educadores terão de reinventar suas ferramentas para formar jovens preparados para problemas que nem sequer surgiram ainda. "No passado, professores sabiam que o que eles ensinassem duraria por toda a vida do aluno. Nos dias de hoje, a escola precisa preparar os estudantes para profissões que não foram criadas e tecnologias que não foram inventadas."

Schleicher faz ainda um alerta aos gestores de educação: "As nações que não têm bons fundamentos nunca pagaram um preço tão alto por essa deficiência".

Quais as razões para avaliarmos tanto os estudantes, com exames ao fim de cada nível de escolaridade? É para filtrar quem deve chegar ou não ao ensino superior?

O propósito das avaliações não é prioritariamente o de definir caminhos de entrada ou saída para os estudantes, mas sim o de identificar necessidades e melhorias no processo de ensino. Bons sistemas de avaliação reconhecem que um aprendizado de excelência abrange tanto o processo quanto seu conteúdo. O resultado dessas avaliações não produz apenas notas para as escolas, mas tenta fornecer uma compreensão abrangente sobre os estudantes e as estratégias conceituais que eles usam para resolver problemas.

O que mais se aproveita do resultado desses exames?

As verificações melhoram o aprendizado de alunos, professores, administradores de escolas e formuladores de políticas públicas. A partir delas, pode-se construir um quadro claro para atribuição de responsabilidades. Isso significa gerar informação que pode ser transformada em ação. Boas avaliações deixam professores mais conscientes de suas deficiências e isso normalmente resulta numa mudança de comportamento. Em vez de simplesmente selecionar e filtrar aqueles que parecem ser os alunos mais talentosos. Escolas e professores competentes usam esses dados para distinguir os alunos extraordinários dos medianos, para estimular a capacidade individual.

Qual a importância desse estímulo?

É simples: as oportunidades para aqueles bem educados nunca foram tantas, mas também os indivíduos - e as nações - que não têm bons fundamentos nunca pagaram tão caro for essa deficiência. Na verdade, o preço econômico e social que as sociedades pagam por não educar bem a totalidade de suas crianças é muito mais alto do que seria o investimento na própria educação.

Números do Enem mostram que o Brasil ainda sustenta uma enorme diferença entre o ensino particular e o privado. Estamos investindo pouco em educação?

É importante analisar o contexto dos dados do Enem. Essa é outra lição que bons sistemas de avaliação nos dão: a comparação deve ser feita entre diferentes períodos da mesma escola, para se analisar quanto ela melhorou. O mesmo parâmetro é verdadeiro quando comparamos países. Não é possível comparar substancialmente países como Finlândia e Japão com o Brasil sem levar em conta o contexto socioeconômico. Na verdade, quando se considera esse pano de fundo, o Brasil está entre os mais bem-sucedidos em melhorar seu desempenho educacional e a igualdade. Sistemas educacionais sempre falam de igualdade e agora nós conseguimos medir seu sucesso nisso, na forma como as escolas conseguem moderar o impacto que o background social tem na educação.

O que países como Finlândia e Japão têm a nos ensinar?

Educação de alta qualidade existe em todo o mundo. Na América do Norte, o exemplo é o Canadá. Na Europa, a Finlândia. Na Ásia, temos Japão, Coreia do Sul e Cingapura. Eles são diferentes entre si, mas têm pontos em comum relevantes. Primeiramente, onde estudantes atuam num ambiente caracterizado pelas expectativas de um bom desempenho a relação com os professores melhora e o moral dos educadores aumenta. Muitos países mudaram suas prioridades, saindo do simples controle dos recursos e do currículo para um foco maior nos resultados do processo educacional. Isso tem direcionado esforços no sentido de uma articulação das expectativas que a sociedade tem e a tradução dessas expectativas em parâmetros e objetivos.

O que esses parâmetros determinam?

Eles ajudam a estabelecer conteúdos rigorosos e coerentes em todos os níveis de escolaridade; reduzem as diferenças de currículos entre esses níveis; diminuem a variação desses currículos de classe para classe; facilitam a coordenação de formuladores de políticas públicas; reduzem a desigualdade de currículos entre diferentes grupos socioeconômicos. Muitos sistemas somaram o desenvolvimento desses parâmetros a uma maior atribuição de responsabilidades à linha de frente do ensino, encorajando escolas a dar respostas assertivas aos problemas locais e ajudando escolas e professores a fazer isso de forma significativa.

Como dar essa autonomia a escolas e professores?

Parâmetros claros e específicos permitem acesso às melhores práticas profissionais nas escolas e ajuda os professores a expandir seu repertório de estratégias pedagógicas para personalizar o ensino para todos os alunos e adotar abordagens inovadoras. Os melhores sistemas educacionais do mundo escolhem as pessoas certas para se tornarem professores porque sabem que a qualidade de educação será proporcional à qualidade do corpo docente e porque a escolha errada desses profissionais pode resultar em 40 anos de ensino fraco. Países como a Finlândia e a Coreia do Sul recrutam seus professores entre os 10% dos que se formaram nos primeiros lugares.

E com relação às escolas?

Na maioria dos países exemplares as escolas se tornaram um ponto chave na reforma educacional, e elas são responsáveis pelos resultados que apresentam. Na Finlândia, por exemplo, o planejamento estratégico acontece em todos os níveis do sistema. Cada escola discute a visão nacional do assunto e, paralelamente, o que essa estratégia representam para ela. O mais impressionante nos ótimos resultados de países como Finlândia e Canadá não são apenas as altas médias de desempenho, mas o fato de eles conseguirem que todos os estudantes e as escolas alcancem essa média. A eventual intervenção e apoio nas escolas não é a aplicação de ideias pré-concebidas - ao contrário, trata-se de diagnosticar problemas em cada escola e desenvolver soluções personalizadas. Também se trata de garantir que as escolas que encaram os maiores desafios tenham acesso aos professores e diretores mais talentosos.

Ou seja, profissionais do ensino têm mais responsabilidades?

Exato. Em todos os países que se saíram bem no Pisa, é responsabilidade das escolas e dos professores se engajar na diversidade de interesses dos estudantes, em suas capacidades diferenciadas e em seus diversos contextos socioeconômicos, sem a alternativa de fazer o aluno repetir de ano ou se transferir para uma escola menos exigente - atalhos normalmente usados em países com desempenhos ruins, onde os diretores de escola e professores podem enganar a si próprios dizendo que fizeram a coisa certa, mas têm os alunos errados.

Como a tecnologia está transformando os antigos modelos de ensino?

Uma palavra-chave para o uso da tecnologia na educação costumava ser o aprendizado "interativo". Agora, ele precisa ser "participativo". E, embora a educação a distância seja uma peça importante da educação no futuro, o ensino permanecerá uma experiência humana. Nas gerações passadas, professores sabiam que o que eles ensinassem duraria por toda a vida do aluno. Hoje, a escola precisa preparar os estudantes para mudanças econômicas e sociais mais rápidas do que nunca, para profissões e tecnologias que não foram inventadas e problemas que ainda não sabemos se surgirão. Como podemos criar uma cultura de educação para a vida inteira e para todas as áreas da vida que atinja a todos? O dilema dos educadores é que as habilidades cognitivas rotineiras, aquelas fáceis de ensinar e de avaliar, são também as mais facilmente digitalizadas, automatizadas e terceirizadas. O sucesso em educação não é mais a reprodução de conteúdo e conhecimento, mas é a capacidade de aplicar esse conhecimento em situações inéditas.

Dê um exemplo.

A questão não é se o ensino da matemática deveria ser mais ou menos rigoroso. O desafio é garantir que a matemática não se restrinja a um mundo de equações e teoremas, mas se transforme numa linguagem que permita aos alunos descrever, estruturar e compreender o mundo. O caminho até esse ponto é desafiador.

Estamos nos preparando para esse desafio? Qual seria o modelo de ensino ideal para o século 21?

Num sistema educacional antigo e burocrático, professores eram deixados sozinhos nas classes com uma receita do que ensinar. O modelo moderno estabelecerá objetivos ambiciosos, será mais claro sobre o que os estudantes devem se tornar capazes de fazer, atribuirá responsabilidades e arregimentará professores com ferramentas para ensinar seus alunos individualmente. A educação do passado se resumia a um conhecimento despejado, a do futuro é um conhecimento gerado por professores e estudantes. No passado, alunos diferentes eram ensinados da mesma forma. Hoje, o desafio é incluir a diversidade no ensino. O objetivo do passado era a padronização. Agora, é a criatividade, a personalização das experiências. O passado era centrado no currículo, o futuro é no aprendiz. Nós também precisamos entender que a aprendizagem não é um lugar, é uma atividade. Sistemas educacionais precisam reconhecer que indivíduos aprendem de formas diferentes - inclusive, de formas diferentes ao longo de suas vidas.

(Portal Aprendiz/O Estado de S. Paulo)


domingo, 11 de julho de 2010

Documentário Pro Dia Nascer Feliz

Veja o trailer

Um dos mais impressionantes documentários sobre a realidade nacional. No caso, um rico, vasto e sensível painel do estado da educação no Brasil através de depoimentos emocionantes de jovens do ensino médio e de professores de três diferentes regiões brasileiras. Da menina Valéria que recitava poesias no longínquo sertão nordestino, lutando contra toda sorte de adversidade social, mas com um sentido de criação que chega a nos enrubescer.

Pois, o que temos de reclamar por não realizar um projeto sem condições objetivas diante de tanta escassez de tudo? É emocionante o depoimento de Valéria que afirma que ninguém na escola acreditava que era mesmo ela que compunha seus poemas.


No extremo oposto da esquizofrênica pirâmide social brasileira, o diretor colhe com admirável sensibilidade as angústias dos jovens de classe média alta dos tradicionais colégios confessionais do Rio de Janeiro e São Paulo, superexigidos por pais, professores e amigos. Um painel de recursos tecnológico-educacionais abundantes, muita expectativa de competição e muito pouco afeto.


Mas meio a estas extremidades, o diretor João Jardim nos surpreende com a realidade mundo-cão das escolas das favelas das periferias do Rio e São Paulo. Escolas dantescas largadas à incúria das autoridades públicas, dentro do tradicional quadro de irresponsabilidade política e de ausência de cidadania característico de nossa cultura de impunidade e de pastiche. Professores que fingem ensinar e alunos que fingem aprender, aqueles cativos do terror de alunos delinqüentes e estes do narcotráfico que coabita muro a muro com a escola e alicia os jovens para o ilusório mundo das conquistas fáceis, alimentadas pela alienação consumista da mídia.


Os depoimentos que se seguem são de cortar o coração de qualquer cidadão que tenha um filho brasileiro em idade escolar. Os jovens favelados de menor afirmam com escárnio que não tem lá muito problema roubar alguém ou até mesmo matar se for para livrar a cara, pois o máximo que vão pegar é três anos na Febem. Além do que sai na televisão todo o dia que os políticos roubam muito mais e não são presos, o que justifica a criminalidade geral da sociedade são justamente seus políticos. Basta ligar a televisão e está lá: o crime no Brasil compensa!


Grande e dura aula de cidadania brasileira para tomarmos ciência o quanto antes que, se a educação e as instituições jurídico-políticas estão sucateadas no Brasil, só sobra mesmo a mídia para salvar o país da barbárie. Até por que o círculo vicioso da violação legal e da violência social não interessa mais a ninguém, sobretudo aos mais abastados que falam tanto dos entraves e gargalos da economia e se omitem do dever de dar o exemplo da iniciativa e da participação política.


Trata-se pois de um documentário imperdível para os cidadãos verem e recomendarem!

(Reprodução do Site a Voz do Cidadão)


O documentário está dividido em 09 partes. Para assistí-lo clique AQUI.


Dados do vídeo Pro Dia Nascer Feliz:
Gênero: Documentário;
Duração: 88 minutos;
Ano de Lançamento: 2006, Brasil;
Direção: João Jardim;
Roteiro: João Jardim;
Edição: João Jardim;
Produção: Flávio R. Tambellini e João Jardim;
Música: Dado Villa-Lobos;
Fotografia: Gustavo Hadba.


sábado, 10 de julho de 2010

Padrões de competência em TIC para professores

Documento publicado pela UNESCO, Órgão das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Tecnologia, com o título Módulo de Padrão de Competência, afirma que para viver, aprender e trabalhar bem em uma sociedade cada vez mais complexa, rica em informação e baseada em conhecimento, os alunos e professores devem usar a tecnologia de forma efetiva, pois em um ambiente educacional qualificado, a tecnologia pode permitir que os alunos se tornem: usuários qualificados das tecnologias da informação; pessoas que buscam, analisam e avaliam a informação; solucionadores de problemas e tomadores de decisões; usuários criativos e efetivos de ferramentas de produtividade; comunicadores, colaboradores, editores e produtores; cidadãos informados, responsáveis e que oferecem contribuições.

O documento deixa claro que para o professor ter competência para ensinar num mundo globalizado ele deve adquirir as seguintes habilidades:


(A) Abordagem de alfabetização em tecnologia

  • Os professores devem conhecer as políticas e ser capazes de especificar como as práticas em sala de aula correspondem e apoiam a política.
  • Os docentes devem ter bom conhecimento dos padrões curriculares das matérias que ensinam, além de conhecimento dos procedimentos padrões de avaliação. Além disso, os docentes devem conseguir integrar ao currículo o uso de tecnologia e os formatos de tecnologia para alunos.
  • Os professores devem saber onde, como, quando (e quando não) usar a tecnologia nas atividades em sala de aula e nas apresentações.
  • Os professores devem saber as operações básicas de equipamentos e programas, assim como os programas aplicativos de produtividade, um navegador de web, programas de apresentação e aplicativos de gestão.
  • Os professores devem conseguir usar a tecnologia com toda a turma, pequenos grupos e atividades individuais assegurando um acesso igualitário.
  • Os docentes devem ter habilidade tecnológica e conhecimento dos recursos da web necessários para utilizar a tecnologia na aquisição de disciplinas adicionais e conhecimento pedagógico em apoio ao desenvolvimento profissional do professor.
(B) Abordagem de aprofundamento do conhecimento

  • Os docentes devem ter profundo conhecimento das políticas e das prioridades nacionais, além de serem capazes de elaborar, modificar e implementar práticas em sala de aula que apoiem essas políticas.
  • Os professores devem ter profundo conhecimento da matéria que ensinam, além da capacidade de aplicá-lo, com flexibilidade, a diversas situações. Também devem ser capazes de criar situações-desafio complexas como forma de avaliar o entendimento dos alunos.
  • O ensino tem como foco o aluno, e o papel do professor é estruturar as tarefas-desafio, orientar o entendimento do aluno e dar apoio aos projetos colaborativos. Ao desempenhar esse papel, os professores devem ter habilidade para ajudar os alunos a criar, implementar e monitorar os planos de projeto e as soluções.
  • Os professores devem conhecer diversas ferramentas e aplicativos específicos, em diversas situações baseadas em problemas e projetos. Os professores devem ser capazes de usar os recursos de rede para ajudar os alunos a cooperarem, acessarem informações e se comunicarem com especialistas externos para analisar e solucionar os problemas selecionados. Os professores também devem conseguir usar as TIC para criar e monitorar os planos de projeto individuais e de grupos de alunos.
  • Os docentes devem conseguir criar ambientes flexíveis de aprendizagem em sala de aula. Nesses ambientes, os professores devem integrar as atividades voltadas a alunos e aplicar, com flexibilidade, a tecnologia como suporte à colaboração.
  • Os docentes devem ter as habilidades e o conhecimento necessário para criar e administrar projetos complexos, colaborar com outros professores e fazer uso das redes para ter acesso às informações, aos colegas e a especialistas externos em apoio a seu próprio desenvolvimento profissional.
(C) Abordagem de alfabetização em tecnologia

  • Os professores devem entender as intenções das políticas nacionais e ser capazes de contribuir com a discussão das políticas de reforma educacional, além de participar da elaboração, implementação e revisão dos programas que pretendem implementar essas políticas.
  • Os professores devem ter conhecimento sobre os processos complexos de pensamento cognitivo, saber como os alunos aprendem e entenderas dificuldades que os alunos encontram. Devem ter as habilidades necessárias para apoiar esses processos complexos.
  • O papel dos professores é modelar esses processos de forma clara, estruturar as situações nas quais os alunos aplicam essas habilidades cognitivas e ajudar os alunos a adquiri-las.
  • Os professores devem ser capazes de elaborar comunidades de conhecimento com base em TIC para dar apoio ao desenvolvimento das habilidades dos alunos de criar conhecimento e ao aprendizado contínuo e reflexivo.
  • Os professores também deverão ser capazes de desempenhar um papel de liderança no treinamento dos colegas e na criação e implementação de uma visão de sua escola como uma comunidade baseada na inovação e no aprendizado contínuo, enriquecida pelas TIC.
  • Os professores também precisam ter a habilidade e a inclinação para experimentar e aprender e usar constantemente as TIC para criar comunidades profissionais de conhecimento.
Fonte de informação: Unesco

domingo, 13 de junho de 2010

Alunos da Escola Manoel de Barros desenvolve trabalho de prevenção às drogas

Drogas na escola é um problema complexo, perverso e presente na escola. Por isso merece mais atenção por parte da escola. Somos conscientes que sozinhos não conseguiremos resolver o problema, mas devemos fazer nossa parte sendo um núcleo de resistência.

A maioria dos professores não está preparada para lidar com o problema, dada a sua complexidade social e o nível de agressividade que os alunos atingem.

A Escola Manoel de Barros vem fazendo sua parte. Preparamos os alunos do 9º Ano A (turno matutino) para ministrar palestras sobre o tema. O trabalho dos alunos vem recebendo muitos elogios dos alunos, da direção e dos professores da escola. Eles concluíram a primeira etapa do projeto que é a realização de palestras sobre o tema em todas as turmas da escola. A segunda etapa consiste na produção de um vídeo. A terceira etapa do projeto será a ampliação da palestra para as demais escolas do município. A quarta e última etapa do projeto é a realização de uma caminha nas principais ruas do município alertando a população sobre os perigos das drogas.

Em resumo, a palestra consiste em expor vídeos sobre o tema e uma apresentação em Power Point. A palestra tem duração aproximada de noventa minutos.

Se os diretores e professores desejam fazer um trabalho de prevenção às drogas na sua escola, nos procure na escola nos turnos matutino e vespertino ou nos envie um e-mail para escolamb@gmail.com.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Escravos do tempo

Estou coordenando quatro projetos com alunos da Escola Manoel de Barros, mas tenho enfrentado sérias dificuldades por falta de tempo. Propus uma parceria com outros colegas professores a execução desses projetos. Todos acharam interessantes e demonstraram interesse de participar, mas não se engajaram por causa do fator tempo. Será que as pessoas que conduzem nossa educação não percebem que professor precisa de tempo para estudar, pesquisar, planejar, avaliar e coordenar projetos?

A Lei do Piso propõe que 1/3 do tempo da carga horária do professor seja destinada às atividades listadas acima. A comissão de elaboração do Plano de Carreira do Magistério de Baraúna-RN até discutiu a questão, mas não a defendeu por achar que sua aprovação jamais seria aprovada pelo poder público municipal.

Não acredito que poderemos melhorar nossa educação sem esse tempo indispensável ao professor. Vejo na maioria deles a vontade de desenvolver projetos de interesse dos alunos, principalmente projetos em parceria com outros professores, mas fica só na vontade, pois esse tempo imprescindível ele não tem, visto que a maioria ensina em mais de uma escola.

Essa situação poderia ser amenizada se a Secretaria Municipal de Educação tivesse normatizado a remuneração dos professores pelo seu desempeno, mas nem isso foi feito. Que motivos um professor terá de fazer além do feijão com arroz se no final do ano ele será remunerado igualmente a outro que nem na sala de aula está? Depois cobram dos professores por bons resultados. Estou esperando pela cobrança indevida.

Assim Caminha a Educação de Baraúna!!!

domingo, 30 de maio de 2010

Escolas rurais sofrem com mais reprovações, abandonos e falta de estrutura

Nas escolas rurais, 49% dos alunos do ensino fundamental da rede pública já reprovaram o ano pelo menos uma vez até 2010, de acordo com Estudo o Nacional das Escolas Rurais, produzido pela Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil (CNA) e divulgado na última semana. A média nacional é de 11,8% em 2008, segundo o Instituto de Pesquisas Anísio Teixeira (Inep).

“Essas escolas enfrentam grande defasagem pedagógica e estrutural. Os professores não são capacitados, nem todas as escolas têm diretores, não possuem equipamentos e são longe da casa dos alunos”, avalia o técnico da pesquisa, Marcelo Garcia. “Além disso, elas concentram um grande número de estudantes pobres”.

O maior percentual de repetência está entre os estudantes de baixo poder aquisitivo (classe E), equivalente a 66%. Os valores diminuem conforme aumenta a renda das famílias: 52% na classe D, 39% na classe C e 15% na classe B, segundo o Estudo, produzido em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope).

“A pobreza não é só financeira, mas cultural”, comenta Garcia. “A mesma lógica vale para os professores”. A pesquisa foi realizada entre fevereiro e março de 2010 em 48 escolas multisseriadas de dez estados: Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Tocantins.

A taxa de abandono das escolas das zonas rurais registrada pelo Estudo também é maior que a média nacional: 7% contra 4,4%, segundo dado do Inep de 2008. Além disso, 6% dos alunos do campo já abandonaram a escola mais de uma vez e 1% duas vezes ou mais. “Essas escolas são esquecidas e defasadas. Elas não se tornam convidativas para os alunos”.

Entre os pais e os responsáveis dos alunos, 32% nunca estudaram ou não chegaram a completar a quarta série, segundo a pesquisa. “Quanto mais baixa a taxa de escolaridade dos pais, mais baixas as notas dos alunos”, avalia Garcia.

Prova Brasil

Com o levantamento, alunos de escolas rurais participaram pela primeira vez da Prova Brasil, que avalia a qualidade de educação no ensino fundamental. O Ministério da Educação não realizava as provas nesses locais por problemas de logística, segundo a Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil.

A Prova Brasil avalia a proficiência dos alunos em Língua Portuguesa e Matemática. Nas duas disciplinas as médias das escolas rurais foram menores que as nacionais. Em matemática a diferença foi de 33,5 pontos, sendo 160 a média das escolas rurais e 193,5 a nacional. Em Português a média das escolas rurais na avaliação foi de 166 pontos, cerca de dez a menos que a média nacional, registrada em 175,8.

“Depois da divulgação do estudo, o secretário de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, André Lázaro, admitiu que a maior desigualdade na educação está entre as escolas rurais e urbanas”, conta Garcia. “Temos então que olhar para elas e equipá-las”.

Estrutura das escolas

Entre as escolas rurais, 92% não têm acesso à Internet, 82% não possuem telefone, 70% não têm biblioteca, 50% não têm diretores escolares e 76% ainda utilizam mimeógrafo, segundo o Estudo Nacional de Escolas Rurais. A pesquisa identificou, ainda, que o professor desempenha outras funções além de lecionar, como limpar a sala e preparar a merenda.

A área rural concentra cerca de seis milhões de alunos matriculados no ensino básico regular e aproximadamente 53 mil escolas. Aproximadamente 50% delas têm apenas uma sala de aula, segundo a pesquisa.

Texto de Sarah Fernandes - Portal Aprendiz.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Desafios da educação para o próximo presidente

Cinco políticas poderiam transformar o próximo presidente da República no estadista que a educação jamais teve no Brasil: 1) atrair bons professores; 2) cuidar da primeira infância; 3) corrigir as distorções do ensino fundamental; 4) política de educação, emprego e renda para a juventude; e 5) modernizar o ensino superior e o financiamento à C&T.


Magistério. Educação de qualidade se faz com bons professores. Isso requer uma carreira que atraia os jovens mais talentosos para o magistério. Possível estratégia consiste em associar um sistema nacional de certificação ou mérito com uma complementação salarial. Tal complementação tornaria o salário do magistério compatível com as profissões liberais de maior prestígio, cuja média está em torno de R$ 3 mil. Isso requer aporte anual de aproximadamente R$ 30 bilhões, que seria progressivamente implementado ao longo de 10 anos. Exame de acesso bem feito levaria à imediata reformulação dos currículos das escolas de formação de professores.


Até três anos. Jim Heckman, Prêmio Nobel de Economia, comprovou: o investimento mais rentável para desenvolver recursos humanos situa-se nos primeiros anos de vida. A meta: assegurar que todas as crianças possam desenvolver o seu potencial, independentemente do nível de renda da família. Isso significa implementar políticas sociais articuladas que vão do pré-natal até pelo menos os primeiros anos de vida. Tais políticas, com foco nas famílias, especialmente nas mães, vão muito além da oferta de creches e requerem abordagem intersetorial e um leque de opções para atender as peculiaridades de cada família. Entre outros, a formação de futuros pais seria o melhor uso possível dos recursos do FAT para melhorar a vida e a renda da família do trabalhador.


Ensino fundamental. Para começar a melhorar o ensino fundamental, precisamos superar três grandes gargalos. Primeiro, reaprender a alfabetizar as crianças no 1º ano escolar. Dados da Prova Brasil mostram que apenas metade das crianças do 5º ano da escola pública é alfabetizada. Garantir a alfabetização no 1º ano requer mudanças radicais nas políticas vigentes: as soluções são conhecidas e estão disponíveis. Segundo, corrigir o fluxo escolar e erradicar, ao mesmo tempo, a pedagogia da repetência. Mais de 5 milhões de alunos do ensino fundamental encontram-se acima da idade de 14 anos, e mais de 10 milhões apresentam atraso escolar significativo. Alterações nos critérios de alocação do Fundeb poderiam induzir essas mudanças. Terceiro, efetivar a municipalização do ensino fundamental, prevista em lei. Essa é condição essencial para iniciar um processo de melhoria da eficiência de gestão educacional. Uma intervenção eficaz nessas três áreas pode significar economia anual recorrente superior a R$ 10 bilhões.


Juventude. As políticas atuais punem os jovens nas três dimensões — educação, formação profissional e emprego. Uma política para a juventude teria como foco o jovem de 15 a 30 anos. Na educação, cumpre diversificar o ensino médio e desatrelar os currículos do vestibular. Na formação profissional, urge rever a legislação da aprendizagem, enfatizar habilidades não cognitivas, especialmente para a população de menor escolaridade, e atrelar o financiamento da oferta à obtenção de emprego. A receita para o sucesso reside na coordenação de esforços com o setor produtivo, o uso racional dos recursos do FAT e a eficaz mobilização dos recursos e da competência gerencial do Sistema S na formação profissional. O acesso dos jovens aos estágios e empregos se faz com incentivos ao setor produtivo.


Ensino superior. O ensino superior permanece atado ao bacharelismo do século 19 e ao corporativismo do século 20. O perfil do novo ensino superior adequado ao século 21 está delineado nas orientações do Protocolo de Bologna — não há por que reinventar a roda. O financiamento ao ensino superior público pode ser aprimorado por uma política de financiamento em parte associada aos resultados. Na área da pesquisa permanece como maior desafio oferecer instrumentos financeiros sobejamente conhecidos e utilizados em outras nações para estimular a participação do setor produtivo no desenvolvimento tecnológico do país e, dessa forma, valer-se, de maneira mais eficaz, dos talentos das universidades. Resta saber se o próximo presidente tem disposição para tanto.


Autor: João Batista Araújo e Oliveira – Presidente do Instituto Alfa e Beto