sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Sala de Aula Invertida - Modelo Pedagógico

A sala de aula invertida ou flipped classroom é uma metodologia ativa que ressignifica o papel do aluno, do professor e da aprendizagem. Coloca o aluno no centro do processo ensino aprendizagem, como protagonista e, promove o desenvolvimento de uma aprendizagem ativa, investigativa e 
colaborativa.

O professor promove aos alunos um processo de aprendizagem contínuo, que acontece em diferentes espaços e possibilita ampliar seus estudos, conhecimentos, e ainda desenvolver habilidades de comunicação, gestão e autonomia. Neste novo formato de ensinar e aprender, os educadores são mediadores da aprendizagem e não detentores do conhecimento. Esta nova proposta de aprendizagem propõe que o aluno antes da aula estude sobre uma temática específica, vindo desta maneira mais preparado, com questionamentos e inquietações que serão o ponto de partida para as discussões na sala de aula. A aula passa a ser dialógica e interativa, invertendo assim a transmissão de conhecimento usada no ensino tradicional, onde o aluno, como um ser passivo, escuta o professor, faz atividades e estuda em casa para a prova.

A sala de aula nesta nova abordagem abre espaços efetivos para a criação de uma rede cooperativa de alta interação, que possibilita o debate e a argumentação. Tendo em vista a interação e a dinâmica que envolve, a participação se manifesta como um processo ativo e não linear, a aula fica mais interessante para o aluno e a aprendizagem mais significativa.

O professor valoriza o aprendizado no ritmo de cada aluno, que pode aprender no seu próprio ritmo, tendo atenção mais individualizada do professor.

A implantação desta metodologia exige mudanças na prática do professor, na gestão e na dinâmica da sala de aula. O uso de tecnologias educacionais para acesso à informação, resolução de problemas e colaboração entre os alunos contribui significativamente para o processo da inversão da sala de aula.

Na sala de aula invertida professores qualificados são mais importantes do que nunca. São eles que devem definir o conteúdo, as instruções e traçar as estratégias de interação face a face. Durante a aula, devem observar e dar feedback, além de avaliar de forma contínua o trabalho do aluno.

Depois de dois anos usando a Sala de Aula Invertida no Ensino Fundamental II numa escola pública municipal aprendi algumas lições que divido com você professor(a).

1. Não se prenda a regras
Não existe uma fórmula para flippar aulas. Cabe ao professor desenvolver o método da melhor forma possível para que o conteúdo renda. Você pode inverter todas as aulas, intercalá-las com aulas normais ou “flippar” apenas uma no semestre. Sinta-se livre para experimentar. 

2. Não se acomode
Muita gente pensa que adotar o método de sala de aula invertida significa menos trabalho para o professor. Produzir o conteúdo para os alunos estudarem em casa sozinhos exige muito mais empenho do educador. Os materiais (vídeos, jogos ou textos) precisam ser muito mais claros, uma vez que os estudantes não terão a quem recorrer imediatamente para tirar dúvidas.

Outro mito a respeito da sala de aula invertida é o de que os professores preparam os conteúdos uma única vez e depois passam a repeti-los para as próximas turmas. A metodologia deve ser dinâmica. O professor precisa sentir como os estudantes respondem ao conteúdo preparado para aprimorá-lo cada vez mais.

3. Seja breve
Assim como se distraem em sala de aula, os alunos também não aguentam ficar muito tempo seguido sentados em frente ao computador em casa. Por isso, prepare vídeos curtos para passar os conteúdos. Pesquisas apontam que filmes com 5 a 8 minutos de duração são ideais.

Além disso, é importante fazer uma introdução no vídeo, recapitulando os principais tópicos que foram abordados nas últimas aulas, e uma conclusão, para ajudar os alunos a fixar os conceitos trabalhados no filme.

4. Valorize o encontro presencial
Na metodologia de sala de aula invertida, ainda mais importante do que produzir bom conteúdo para o aluno acessar em casa, é pensar em atividades que aproveitem cada segundo do encontro dos alunos com o professor em classe. Promova exercícios que estimulem a interação da turma e, também, que fortaleçam a relação dos estudantes com você, educador.

5. Tenha prudência
Toda novidade causa estranhamento. Portanto, na hora de propor a metodologia de sala de aula invertida a pais, alunos e direção, vá com calma. Prepare o “terreno”, argumente muito bem a respeito dos benefícios do novo método de ensino e trace um planejamento para ir introduzindo, aos poucos, o novo conceito na turma. Não espere adesão integral imediata, nem se desanime por isso.

6. Simplifique o método da sala de aula invertida
Na hora de preparar os conteúdos que os alunos acessarão em casa, apenas, não complique. Opte por aquelas tecnologias convencionais, que as pessoas já estão acostumadas a usar e cujas chances de dar problema são baixíssimas. Nunca escolha um formato de vídeo que exija que os alunos instalem no computador um programa para isso.

7. Proponha interação
Envolva o aluno durante às videoaulas. Converse com ele, peça para anotar algo ou faça uma pergunta. Se gravados de forma impessoal, os vídeos podem passar a sensação de passividade aos estudantes, desmotivando-os.

8. Tenha paciência
O conceito de sala de aula invertida é uma grande inovação educacional e, por isso, exige paciência de todas as pessoas envolvidas no processo. Todos ainda estão aprendendo a melhor forma de trabalhar com essa nova metodologia. Por isso, permita-se arriscar, errar, consertar, repensar, etc.

9. Mantenha sempre a mente aberta
Você precisa de um plano para começar a implantar o método de sala de aula invertida na turma. No entanto, não se feche para as inúmeras sugestões e possibilidades que vão aparecer durante essa nova caminhada educacional. Aceite críticas e ideias de todas as pessoas envolvidas no processo para que, juntos, possam chegar ao melhor resultado possível.

Conclusão
As tecnologias de hoje estão redefinindo as aulas de amanhã. A educação a distância está ajudando nessa transformação já que países e organizações estão cada vez mais se aproximando desse modelo de ensino.

Na medida em que mais alunos têm acesso a computadores e dispositivos móveis conectados à internet, mais oportunidades educativas e interativas se abrem para professores e alunos.

A modalidade representa uma forte influência na geração de conhecimento no país e no mundo, com perspectivas interessantes e positivas. 

Desta maneira, espera-se uma maior democratização do ensino a distância, bem como uma maior interação entre as diversas culturas quanto aos conhecimentos gerados.

Como, por exemplo, fóruns, chats, museus e laboratórios virtuais que favorecem as práticas de sala de aula invertida; estes últimos ampliando o acesso à educação superior de qualidade por um custo muito baixo ou mesmo nulo.

Também na educação superior o modelo de sala de aula invertida começa a ser muito popular devido à forma como propõe uma reorganização da instrução aluno a aluno, bem como gerencia de forma mais eficiente o tempo em sala de aula.

Mudar o que está sendo feito há tantas décadas exigirá uma mudança de postura não só de professores, mas também dos alunos. 

Os próximos anos devem ser marcados por um crescimento do compartilhamento de conteúdos, especificamente em relação ao EAD. 

Com a sala de aula invertida, o tempo de aula é otimizado, já que os alunos possuem conhecimento prévio da lição por meio do material fornecido com antecedência pelo professor. Com isso, a aula pode ser dedicada a aprofundar o tema e a desenvolver os assuntos mais importantes.

Mas inverter uma sala de aula é muito mais do que a simples distribuição de conteúdo com antecedência. Trata-se de uma abordagem abrangente que combina educação e novas tecnologias, priorizando princípios como pró-atividade, colaboração e aprendizagem contínua, entre outros.

Fonte: 

domingo, 21 de outubro de 2018

Saem os livros, entram os vídeos: YouTube ganha preferência na aprendizagem

Jaimie Moreano, de 15 anos, está no YouTube o tempo todo. Ela pode aprender o que quiser usando a plataforma de compartilhamento de vídeos. Ela o usa para assistir tutoriais de cabelo e maquiagem e vídeos prontos para ver o que é legal de usar. Mas os tutoriais de maquiagem não são os únicos vídeos que ela assiste.

“Quando estou fazendo meu dever de casa, procuro como resolver um problema no YouTube”, disse Moreano, estudante do segundo ano da Locust Valley High School, nos arredores de Nova York. “Eu gosto porque é muito fácil de seguir. Eu posso pausar, ou posso voltar atrás se tiver uma pergunta.”

Ela faz parte da maioria dos jovens da Geração Z (pessoas nascidas no fim da década de 1990 até 2010 ) que têm uma preferência maior por aprender com o YouTube e vídeos, em detrimento dos livros impressos. Essa mudança de preferência está impulsionando currículos e mudanças tecnológicas em alguns distritos escolares, mas também levantando questões e preocupações sobre as desvantagens de confiar demais no vídeo.

Em uma pesquisa divulgada no mês passado com pessoas de 14 a 23 anos – e, portanto, o grupo da Geração Z – o YouTube foi classificado como a ferramenta de aprendizagem preferida. Cinquenta e nove por cento preferem aprender na plataforma de vídeos. Outros 57% escolheram atividades em grupo e 47%, aplicativos de aprendizagem ou jogos. Livros impressos tem a preferência de 47% dos jovens entrevistados.

O grupo etário da Geração Z tem uma “relação de marca específica” com o YouTube, disse Peter Broad, diretor de pesquisa global e insights da The Harris Poll, empresa da Pearson que realizou a pesquisa. “Quando os alunos mais jovens procuram respostas, eles vão para a força mais direta e familiar, que para eles é o YouTube.”

A plataforma do Google é “cheia de explicadores e tutoriais” e conteúdo “curto e de fácil digestão”, acrescentou.

Segure o Conceito

As preferências da Geração Z estão gerando mudanças significativas em alguns distritos escolares. No distrito escolar de Mineola, nos arredores de Nova York, o superintendente Michael Nagler tem encorajado os professores a usar mais vídeos em sala de aula. O distrito tem um canal no YouTube para educadores e alunos, com vídeos que cobrem tópicos desde a mentalidade de crescimento até aulas de ciências e matemática. Os vídeos complementam o currículo regular e dão aos alunos conexões reais sobre o motivo pelo qual estão aprendendo alguma coisa, disse Nagler.

“Se todos os fatos e números estiverem disponíveis na internet, os estudantes não precisarão se sentar e ouvir você”, disse Nagler. “Mas qual é a conexão maior? Os vídeos podem dar a eles uma conexão maior, envolvendo-os no conteúdo e na lição em si.”

Apesar de seu entusiasmo pelo poder do aprendizado de vídeo, Nagler enfatiza que os professores ainda precisam ser os que guiam os alunos pelo conteúdo.

Os membros da Geração Z parecem concordar. De acordo com o estudo da Pearson, 78% dos entrevistados disseram que os professores são “muito importantes para o aprendizado e o desenvolvimento”.

Para os alunos mais jovens que cresceram com a tecnologia, tudo depende da eficiência e do uso de qualquer recurso que eles possam ter facilmente em mãos, disse Broad.

“Eles querem aprender o mais rápido possível”, explicou ele. “Sua suposição é que [as respostas de que precisam] estarão disponíveis para eles”.

O YouTube é uma boa fonte quando Moreano faz um teste, disse ela. Ela apenas digita “curso intensivo” sobre qualquer assunto em que o teste está e encontra vídeos do YouTube de “pessoas simplificando tudo”, ajudando-a realmente a “compreender o conceito”.

Privacidade e preocupações de conteúdo

Educadores e pesquisadores concordam que a tendência dos jovens para gravitar em torno do YouTube tem a ver com o fato de que eles cresceram com essa tecnologia e esperam que ela esteja sempre disponível para eles. O site foi lançado em 2005, na mesma época em que o grupo etário da Geração Z estava crescendo.

Andrew Biggs, professor de estudos sociais na New Technology High School, em Napa, Califórnia, disse que os alunos gostam do YouTube porque “é conteúdo sob demanda”.

Para os estudantes, a força do vídeo é que você pode tocar e pausar “quantas vezes quiser, sem sentir que está incomodando alguém”, disse Biggs. Também faz sentido usá-lo para o aprendizado porque “muitos alunos já usam o YouTube de maneira recreativa”.

O YouTube é muito popular entre crianças e jovens adultos. Uma recente pesquisa do Pew Research Center descobriu que 85% dos adolescentes norte-americanos o usam e que 32% dizem que usam a plataforma com mais frequência do que outras mídias sociais. Quarenta e sete por cento passam três ou mais horas por dia no YouTube, conforme o estudo da Pearson.

Nem tudo são flores para o YouTube, no entanto. A empresa tem sido acusada nos Estados Unidos de segmentar crianças com anúncios e violar a Lei de Proteção à Privacidade Online das Crianças, informou a Education Week em abril. Mais de 20 grupos de defesa do consumidor registraram uma queixa junto à Federal Trade Commission (FTC), alegando que o YouTube vem coletando dados de crianças para segmentar anúncios.

O site também foi criticado por recomendar conteúdo impróprio para crianças, disse Josh Golin, diretor executivo da Campanha por uma Infância Livre de Comércio, um dos grupos de defesa que apresentaram uma queixa à FTC. O YouTube recomenda vídeos que contenham “pontos de vista extremistas, teorias de conspiração, conteúdo violento e adulto”, disse Golin.

A plataforma também é projetada, continuou ele, a “manter você assistindo um vídeo após o outro, expondo as crianças a riscos”. É algo que os educadores devem pensar antes de enviar os alunos ao YouTube para fins educacionais, acrescentou.

Os alunos também têm preocupações. Eva Clark-Dupuy, aluna da New Technology High School, disse que usa o YouTube como uma ferramenta de aprendizado porque é mais acessível a ela. “É um aplicativo gratuito”, disse ela. “É fácil de ver. Você obtém milhões de resultados quando pesquisa alguma coisa.”

Mas a desvantagem de o YouTube ser um espaço “livre para todos”, disse ela, é que qualquer pessoa pode fazer upload de um vídeo de baixa qualidade ou enganoso, e os vídeos podem conter conteúdo impróprio.

Outros estudantes estão preocupados que a plataforma de compartilhamento de vídeos está se tornando mais comercializada. “Até mesmo os YouTubers estão anunciando produtos, e você não sabe se acredita neles ou se estão sendo pagos para dizer aquilo”, disse Ben Danialian, um sênior da Mineola High.
O papel da aprendizagem visual

A preferência pelo YouTube e pelos vídeos sinaliza uma mudança nos estilos de aprendizado, disse o diretor de pesquisa e opinião global da Pearson. O papel da aprendizagem visual e de vídeo é “essencial para os aprendizes em ascensão e para a geração que está por vir”, disse Broad. A Pearson também descobriu que há um interesse crescente em outras plataformas de aprendizado baseadas em vídeo.

Alguns adolescentes estão recorrendo ao YouTube porque acham que é mais fácil entender algo quando assistem a alguém explicá-lo visualmente. Também ajuda que eles possam pausar e retroceder um vídeo se não o entenderem imediatamente.

Assistir a um vídeo pode ser mais útil do que ter uma palestra para ela, disse Clark-Dupuy. “Às vezes, aprender com um livro didático não me ajuda”, contou. “É mais fácil assistir a um vídeo sobre um tópico. Se eu tiver o visual, é mais fácil de entender.”

O aspecto visual dos vídeos não é a única razão pela qual os alunos mais jovens estão recorrendo ao YouTube. Eles também acham os vídeos mais relacionáveis do que livros.

Moreano disse que o YouTube é “quase mais pessoal do que ler um livro, porque você os vê e o que eles estão fazendo, e não apenas o que estão escrevendo”. Ela também consegue acompanhar as pessoas de sua idade – mais um motivo que torna a plataforma de vídeos melhor do que um livro.

“Os livros parecem antigos para mim”, concluiu.

Reportagem de Lauraine Genota, editada a partir do EdWeek.
Site Desafios da Educação

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Como criar, (re)ativar ou consolidar os Conselhos Escolares?

Não há necessidade de Lei Municipal para a criação e funcionamento dos Conselhos Escolares. A própria comunidade Escolar pode criar seu conselho.

No Plano Nacional de Educação está expressa a necessidade de “promover a participação da comunidade na gestão das escolas, universalizando, em dois anos, a instituição de Conselhos Escolares”. Dessa forma, cabe ao diretor da escola ou a quaisquer representantes dos segmentos das comunidades escolar e local a iniciativa de criação dos Conselhos Escolares, convocando todos para organizar as eleições do colegiado.

Devem fazer parte dos Conselhos Escolares: a direção da escola e a representação dos estudantes, dos pais ou responsáveis pelos estudantes, dos professores, dos trabalhadores em educação não-docentes e da comunidade local. Como todo órgão colegiado, o Conselho Escolar toma decisões coletivas. Ele só existe enquanto está reunido.

Contudo, o diretor atua como coordenador na execução das deliberações do Conselho Escolar e também como o articulador das ações de todos os segmentos, visando a efetivação do projeto pedagógico na construção do trabalho educativo. Ele poderá – ou não – ser o próprio presidente do Conselho Escolar, a critério de cada Conselho, conforme estabelecido pelo Regimento Interno.

Os membros efetivos são os representantes de cada segmento. Os suplentes podem estar presentes em todas as reuniões, mas apenas com direito a voz, se o membro efetivo estiver presente.

Recomenda-se que os Conselhos Escolares sejam constituídos por um número ímpar de integrantes, procurando-se observar as diretrizes do sistema de ensino e a proporcionalidade entre os segmentos já citados, ficando os diretores das escolas como “membros natos”, isto é, os diretores no exercício da função têm a sua participação assegurada no Conselho Escolar.

Qual a legislação que sustenta os Conselhos Escolares?

Há toda uma legislação educacional, definida pelos espaços parlamentares competentes, influenciados pelos movimentos sociais organizados, que pode ser acionada para favorecer a gestão democrática da escola básica e a existência de Conselhos Escolares atuantes e participativos.

Entre os princípios que devem nortear a educação escolar, contidos na nossa Carta Magna – a Constituição de 1988 –, em seu art. 206, assumidos no art. 3º da Lei n. 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB), consta, explicitamente, a “gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino” (inciso VIII do art. 3° da LDB).

Trata-se de enfrentar o desafio de constituir uma gestão democrática que contribua efetivamente para o processo de construção de uma cidadania emancipadora, o que requer autonomia, participação, criação coletiva dos níveis de decisão e posicionamentos críticos que combatam a ideia burocrática de hierarquia. Para tanto, é fundamental que a escola tenha a sua “filosofia político-pedagógica norteadora”, resultante, como já mencionado, de uma análise crítica da realidade nacional e local e expressa em um projeto político-pedagógico que a caracterize em sua singularidade, permitindo um acompanhamento e avaliação contínuos por parte de todos os participantes das comunidades escolar (estudantes, pais, professores, funcionários e direção) e local (entidades e organizações da sociedade civil identificadas com o projeto da Escola).

A autonomia da escola para experienciar uma gestão participativa também está prevista no art. 17 da LDB, que afirma: “os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público”.

A LDB é mais precisa ainda, nesse sentido, no seu art. 14, quando afirma que os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica de acordo com as suas peculiaridades, conforme os seguintes princípios: I – participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola; II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes.

Cabe lembrar, ainda, a existência do Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado como Lei n. 10.172, de 9 de janeiro de 20014. Esse Plano estabelece objetivos e prioridades que devem orientar as políticas públicas de educação no período de dez anos. Dentre os seus objetivos, destaca-se a democratização da gestão do ensino público, salientando-se, mais uma vez, a participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes, bem como a descentralização da gestão educacional, com fortalecimento da autonomia da escola e garantia de participação da 
sociedade na gestão da escola e da educação.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

IDEB de Baraúna é uma tragédia anunciada

Os dados do Ideb, principal indicador de qualidade da educação básica no Brasil representado numa escala de 0 a 10 feito de dois em dois anos, foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério da Educação (MEC).

Para calcular o IDEB são considerados dois fatores:

1. Taxa de rendimento escolar, que na prática, se traduz nos índices de aprovação e evasão obtidos pelo Censo Escolar. É uma medida do fluxo dos alunos.
2. Médias de desempenho nos exames padronizados aplicados pelo Inep, como a Prova Brasil (para Idebs de escolas e municípios) e do Saeb (no caso dos Idebs dos estados e nacional).

Como já se esperava a Educação do município de Baraúna vai de mal a pior.

Apesar do município ter atingido a meta de 2017 nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º Anos), a única escola que conseguiu a meta foi a Escola Maria Barros com índice 5,0. Ou seja, todas as demais escolas da Rede Pública Municipal ficaram muito abaixo da meta para o ano de 2017. Quanto ao índice para as Escolas dos Anos Finais (6º ao 9º Anos), no período considerado apenas em 2009 e 2011 o município atingiu a meta e de lá para cá temos amargado péssimos resultados.

Veja os gráficos e tire suas conclusões.



Acesse os dados AQUI

sábado, 25 de agosto de 2018

Conectividade e cultura escolar são barreiras para uso de celular em sala de aula

Pesquisa TIC Educação mostra que só 7% dos alunos têm permissão para usar a internet em seus próprios dispositivos

Apesar do uso de internet estar presente na vida crianças e adolescentes, a 8ª edição da pesquisa TIC Educação mostra que apenas 7% dos alunos têm permissão para se conectar pelo celular em sala de aula. Os resultados do levantamento foram divulgados nesta quarta-feira (22) pelo Cetic.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil)e trazem um panorama sobre o uso e a apropriação das tecnologias de informação e comunicação no ensino fundamental e médio.

Realizada entre agosto e dezembro de 2017, a pesquisa avaliou 957 escolas urbanas públicas (exceto federais) e privadas. Nesta edição, foram incluídos ainda dados de escolas rurais a partir de 1.481 entrevistas, com diretores ou responsáveis por instituições de ensino públicas (exceto federais) e privadas, de diferentes modalidades de ensino. Continue lendo...

10 tipos de professores

  1. O desanimado - não chega a ser relapso, mas falta-lhe o brilho do entusiasmo pelo que faz;
  2. O saudosista - desempenha a contento suas tarefas, mas para ele escola boa era a de antigamente, hoje haveria apenas ensino do “faz de conta”;
  3. O critiqueiro - antenado em leis e portarias sobre educação, só enxerga o lado negativo da realidade;
  4. O alienado - meio camaleônico, está de bem com todos, não toma partido; para ele educar é fazer a vontade dos alunos;
  5. O policial-terrorista - sempre do lado da direção, é disciplinado ao extremo, exige que os alunos decorem conteúdos, espalhando medo, ameaçando com notas baixas ou com provas que não buscam avaliar aprendizado;
  6. Celetista - dá aula em diversas escolas, não tem interesse pelos problemas da escola e do aluno; como não cria raízes na instituição, também não deixa saudades por onde passa; ensina mas não educa;
  7. Bico - é um dos tantos que atuam em diversas frentes e empregos. Para uns trata-se de necessidade e para outros lecionar é questão de prestígio e projeção;
  8. Ideologizador - faz discursos e pregação. Não perde uma oportunidade de mostrar sua visão do mundo e da política ou é engajado em movimentos sociais, se definindo de esquerda, ou adota postura oposta, de cunho moralista;
  9. Autoritário - dominador, entende que cabe só a ele tomar decisões. “Por lei, em sala de aula, gozo de autonomia, aqui quem manda sou eu”.
  10. Expressor - é aquele professor que dá aulas-magnas, fala o tempo todo, um discurso que encanta os alunos, mas que não permite interrupções, perguntas ou dúvidas, ele é o show. Ao final do curso, os alunos (que adoravam suas aulas e shows) se dão conta de que não há assunto para avaliação, de que nada aprenderam.
Fonte: Unicamp

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O Edmodo como ambiente virtual de aprendizagem

Fundado em 2008, o Edmodo é uma rede social educativa acessível através de um navegador web no endereço www.edmodo.com e permite a comunicação entre alunos, professores e pais através de um sistema fechado, privativo e gratuito. Esta rede social é uma das mais utilizadas no momento estando atualmente com mais de 5 milhões de usuários ativos. O Edmodo é gratuito para professores e alunos e sempre será. Disponível on-line e para Android, iOS e Windows, Edmodo tem a confiança de educadores, pois é:

Fácil: Com recursos intuitivos e armazenamento ilimitado, crie grupos rapidamente, atribua lições de casa, agende testes, gerencie os progressos e muito mais. Com tudo o que é necessário em uma plataforma, o Edmodo reforça e melhora o que você já faz em sala de aula.

Seguro: O Edmodo é desenvolvido para dar ao professor o controle total sobre sua sala de aula digital. Com ferramentas que lhe permitem determinar quem pode participar dos grupos, garantir a privacidade desses grupos e monitorar as atividades dos membros, a segurança já está incorporada.

Interativo: Oferecer aos alunos novas maneiras de se envolver, se expressar e participar. Com o Edmodo, pode-se postar tópicos para discussão, realizar enquetes, premiar com medalhas, e mais, para estimular a comunicação e socializar o aprendizado.

Conectado: Conecta professores, alunos e pais. A comunidade global de educadores compartilha recursos em minutos, independente da matéria ou da série, com cobertura total.

Apoiador: Construído com os professores e para os professores seu feedback define cada recurso, mantendo professores e seus alunos no centro da aprendizagem.

Versátil: Não importa se o professor quer criar uma sala de aula sem papéis, promover habilidades de cidadania digital, integrar aplicativos educacionais da Loja da Edmodo, ou aumentar a sua rede profissional de aprendizado, o professor pode personalizar seu uso do Edmodo.

Principais características do Edmodo
  1. Professores e alunos colaboram num ambiente seguro e fechado;
  2. Promove o uso responsável das redes sociais e outras ferramentas;
  3. Possibilita uma maior interação e comunicação entre professores, pais e alunos;
  4. Alia as novas tecnologias à educação;
  5. Sistema de mensagens que permite a comunicação segura e aberta, com supervisão e controlo do professor;
  6. Possibilidade de supervisão das atividades realizadas pelo aluno;
  7. Possibilidade de atribuição de trabalhos e avaliações que serão submetidos pelos alunos e avaliados automaticamente;
  8. Possibilidade de criação de grupos por área temática, extensíveis à comunidade;
  9. Possibilidade de armazenamento e partilha de documentos num ambiente baseado em computação na nuvem (cloud computing);
  10. Partilha de conteúdos individualizados, por unidade curricular ou por grupo;
  11. Conta de controlo parental;
  12. Interface simples e intuitiva;
  13. Gratuita e livre de publicidade para os alunos;
  14. Possibilidade de acesso através do computador, telemóvel e tablet.

Principais funcionalidade

  • Partilha de conteúdos;
  • Aplicações educacionais;
  • Bibliotecas;
  • Ligação ao Google Docs;
  • Ligação do o Office online 365 grátis;
  • Realização de tarefas e trabalhos online;
  • Avaliações;
  • Notificações;
  • Calendários;
  • Espaço para troca de ideias;
  • Partilha de vídeos e imagens;
  • Jogos.
De todos os Ambientes Virtuais de Aprendizagem o Edmodo é o mais fácil e versátil de usar por ter um layout muito parecido com a rede social Facebook.

Segundo Moran (1997, p. 146), Esse modelo se choca com o da construção conjunta do conhecimento pelos alunos, O conceito de comunidade de aprendizagem implica em um deslocamento do professor e do conteúdo para o grupo, que participa, se envolve, pesquisa, interage, cria, com a mediação de algum orientador. Esta situação é nova seja no presencial como no virtual. É para ela que caminhamos em todos os níveis do ensino, porque supõe um avanço teórico e metodológico. Mas demora, porque, além de nova, costuma se chocar com o modelo multiplicador de muitas instituições que estão preocupadas em diminuir custos e baixar mensalidades. Os modelos focados em conteúdo pronto ou em tele aula (para muitos alunos) são muito mais rentáveis do que os modelos colaborativos, que precisam de tempos de mediação, de acompanhamento professores experientes para grupos não muito grandes e isso custa mais do que os modelos conteudistas

O Edmodo tem um enorme potencial de criar comunidades de aprendizagem onde a relação entre professor e alunos é horizontal e com isso se consegue sepultar a hierarquização na relação de poder entre professor e aluno, criando um ambiente de aprendizagem muito mais produtivo. Portanto, o Edmodo suscita uma maior interação e liberdade de reflexão sobre o que se está aprendendo.

domingo, 19 de agosto de 2018

Diário da Inovação: Incentivo a Leitura.

Ler é uma atividade com múltiplos benefícios: ativa o cérebro, desperta a criatividade, melhora a capacidade de interpretação, traz conhecimento, exercita a memória e trabalha a concentração. Sobretudo para o desenvolvimento infantil, é um exercício completo que ainda proporciona o aumento do vocabulário da criança, facilitando a sua comunicação e diversos outros aprendizados.

A leitura em sala de aula reforça diariamente a aprendizagem, além de ajudar a criar esse hábito. Apesar de o período escolar ser cheio de conteúdos e livros didáticos a serem devorados, é importante estimular a criança e os adolescentes a ler nas suas horas vagas assuntos de seu interesse, que lhe tragam prazer, informação e lazer. Há várias estratégias para incentivar a leitura, no entanto, estou usando a tecnológico como estratégia para identificar as preferências, armazenar e disponibilizar livros gratuitamente aos alunos.

Nossa iniciativa surgiu como forma de resolver o problema da pouca disponibilidade de livros Infanto-Juvenis na Escola Municipal de 1º Grau Manoel de Barros. Utilizamos o Edmodo para ministrar aulas de matemática e estou aproveitando seu uso no celular para disponibilizar livros Infanto-juvenis para meus alunos em formato PDF.

Fizemos duas enquetes no Edmodo com as seguintes perguntas e respostas:

Enquete 1: Como você avalia nossa ideia de disponibilizar livros Infanto-juvenis grátis sugeridos pelos alunos no Edmodo?
59% responderam Ótimo, 38% Bom, 3% responderam que não faz diferença e 0% respondeu que não gosta da ideia.

Enquete 2: Você lê os livros infanto-juvenis disponibilizados no Edmodo?
75% responderam que Sim e 25% disseram que não.

As duas pesquisas relatam que nossos alunos quando têm a oportunidade de escolher e ter acesso a livros de qualidade e de seu interesse eles leem.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA)

No modelo tradicional de ensino o professor faz o papel de sábio na sala de aula e os alunos são agentes passivos do processo de ensino onde um mesmo rítmo de ensino é imposto para todos, desrespeitando as individualidades inerentes ao processo de aprendizagem.

Enquanto nossos professores tentam, vagarosamente, aprender os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) nossos alunos já nascem imersos no mundo dominado pelos jogos eletrônicos, internet, redes sociais e têm nos vídeos a principal fonte de conteúdos.

A interação no processo de ensino e aprendizagem é fundamental para possibilitar o desenvolvimento da aprendizagem do aluno. O que fomenta o desenvolvimento do conhecimento individual de cada participante é a orientação dada por seu professor, para que possa assimilar as informações de forma estruturada e contextualizada, além da troca de experiências entre os colegas de turma sobre estas informações/conhecimentos.

O modelo tradicional não dar mais conta das exigências dos alunos de hoje e nesse contexto entra os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA) para dar suporte e gerenciar o processo de ensino e aprendizagem. Hoje existem várias alternativas gratuitas e muito eficientes de AVA como o Moodle, Google Educação e o Edmodo que possibilitam uma comunicação simultânea entre o professor e alunos. Quanto ao Edmodo este será detalhado a seguir.

Aprendizagem (AVA). Conforme Almeida (2003, p. 10, apud Maricato, 2010, p 27),

[...] com o uso de ambientes virtuais de aprendizagem redefine-se o papel do professor que finalmente pode compreender a importância de ser parceiro de seus alunos e escritor de suas ideias e propostas, aquele que navega junto com os alunos, apontando as possibilidades dos novos caminhos sem a preocupação de ter experimentado passar por eles algum dia. O professor provoca o aluno a descobrir novos significados para si mesmo, ao incentivar o trabalho com problemáticas que fazem sentido naquele contexto e que possam despertar o prazer da descoberta, da escrita, da leitura do pensamento do outro e do desenvolvimento de projetos colaborativos. Desenvolve-se a consciência de que se é lido para compartilhar ideias, saberes e sentimentos e não apenas para ser corrigido.

Ou seja, o papel do professor passa a ser de reformular perguntas aos alunos e não oferecê-las prontas e organizar as trilhas da construção do conhecimento coletivo e significativo.

Nesse contexto os Ambientes Virtuais de Aprendizagem ostentam um potencial relevante por apresentar as seguintes características: a) fala a linguagem dos alunos atuais, b) ajuda os alunos a estudarem no seu rítmo, c) aumenta a interação professor-alunos, d) aumenta o acesso à informação, e) aumenta a interação aluno-aluno, f) possibilitar a formação de comunidades de aprendizagem, g) ajuda os alunos ocupados, h) muda o gerenciamento da sala de aula, i) permite que os pais participem mais e aprendam juntos com seus filhos em casa, j) ajuda os alunos que têm mais dificuldade de aprendizado e k) inverte o papel do professor de senhor do saber para o articulador da construção do conhecimento.